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Artista da Vez #20 — Vital Lordelo

Originário de Brasília e residente de Lisboa, em Portugal, o Artista da Vez de hoje se expressa de maneira única e seus trabalhos podem ser vistos ao redor do mundo através de suas intervenções. Versátil e capaz de dominar diversas técnicas criativas, utiliza ilustrações e palavras de positividade junto ao lema “Há coragem Sempre Agora” para expor sua arte nas ruas com o intuito de empoderar os transeuntes a acreditarem em si.

Senhoras e senhores, com vocês: Vital Lordelo

Vital Lordelo bem a vontade, em Lisboa. Foto: Camilla Cossermelli

Como você se apresentaria no primeiro dia de aula?

Olá! Sou Vital Lordelo, costuro com linhas líquidas, tramo tudo e quando seca são rabiscos, dessa arte faço meu viver. Ando a cidade com uma mala de madeira, onde pintei um coração e a palavra sentimental, na mala tenho: papeis, poesias, materiais riscadores e tintas. Escrevo poesia em guardanapo entre um café e outro. Faço verso sem perceber, sou todo desassossego.

E como você se apresenta nas suas exposições?

Recentemente uma amiga me disse que sou muito sério com minha comunicação para quem não me conhece. Então decidi tentar ser menos complicado.

Sou Vital Lordelo, sou artista visual. Comecei a fazer arte como ofício em 2007, permeio trabalhos entre a rua e a galeria. Desde 2017, comecei a tatuar em Lisboa, onde resido atualmente.

Grande parte de suas obras carregam mensagens de positividade como coragem, amor, afeto, leveza e ternura. Pode compartilhar conosco o motivo dessa escolha?

O motivo: humanizar. Dar um coração ao concreto, à realidade de qualquer cidade.

As pessoas pararam de demonstrar seus sentimentos. Minha arte é meu jeito de dizer: “sejamos sentimentais!” — um reclame certeiro aos olhos mais atentos. É preciso espalhar a necessidade de se permitir.

“Leia-me Devagar” por Vital Lordelo. Disponível em outros produtos aqui na Touts. Foto: Camilla Cossermelli

Você tem várias peças nas ruas das cidades, como foi esse processo de tirar as artes do ateliê ou da gaveta e começar a expô-las nas ruas e em novas mídias como lambe lambe e adesivos?

Produzia cartazes únicos pintados à mão que eu colava nas ruas de Porto Alegre em 2009. Os cartazes daquela altura faziam uma reflexão sobre o consumo. Em 2011, realizei a exposição “Há coragem sempre agora” em Belo Horizonte. O título virou jargão entre amigos e então pensei em fazer um cartaz. Consegui uma gráfica que ainda realizava impressão de cartazes e lambe-lambes em serigrafia em Porto Alegre e imprimi 200 cartazes. Espalhei pela cidade. Foi uma coisa pontual. Até que me perguntaram: “o que vem agora, Vital?”

Paralelamente, eu tinha outro projeto: o “Abandono arte”. Juntava trabalhos para espalhar pelas ruas, com molduras e tudo. Marcava a localização no instagram e esperava. Em questão de minutos, o trabalho ganhava um lar. Aquilo foi uma forma de desapegar do que estava, há muito, guardado nas gavetas. Foi positivo e inesperado. Era engraçado receber recados como “abandona na minha rua”! Na época, todo esse movimento cumpriu seu papel, gerou atenção.

Os stickers foram uma forma de acesso mais rápido e a baixo custo ao trabalho — os cartazes que eu imprimia tinham tamanho A2, o que era menos prático e mais custoso.

Seis anos depois, já perdi a conta de quantos cartazes eu colei pelos muros do Brasil e Portugal. Sobre os stickers, são inúmeras as cidades e países onde foram parar. Cada foto que recebo de um sticker colado num novo canto é sempre uma boa surpresa.

Mural com artes do Vital nas ruas. Foto: Camilla Cossermelli

Sua formação é em Publicidade aqui no Brasil, né? Como surgiu sua relação com a arte e o design? Foi por vocação ou teve algum momento específico anterior?

Antes mesmo do caminho universitário, estudei desenho e pintura. Sempre fui um aluno muito inquieto (como sempre fui com tudo), o que, para muitos dos que me ensinaram, soou como indisciplina. Acabei por não concluir nenhum destes cursos. Mesmo assim, não perdi meu contato com a arte.

A relação com arte e design começa na faculdade de Publicidade, onde tive aulas de História da Arte. A formação em Publicidade, larguei, faltando três semestres para concluir o curso. Estava cheio de prazos para entregas de trabalhos para exposições e ilustrações. Foi preciso definitivamente escolher um caminho.

Conta pra gente um pouco do seu processo criativo no seu dia a dia? Onde você busca suas principais influências e referências?

Sigo atento, carrego sempre caderno e caneta pra onde vou. As referências chegam em frases soltas no simples dividir do passeio público, cartazes fixados nas ruas, filmes, músicas, conversas em cafeterias com amigos e conversas com amigos por meio das mais diversas redes sociais.

Rascunhos de Lisboa.

O que você mais gosta de fazer no seu tempo livre?

Gosto de cozinhar algo diferente, ouvir música, abrir uma cerveja ou vinho e dar uma caminhada de madrugada pelas ruas de Lisboa.

Como você acha que morar em Portugal influência em suas criações hoje?

Estar no solo da formação da língua portuguesa dá outra visão e entendimento às palavras. A raiz é a mesma mas a construção da escrita e sua forma falada muda.

Acredito que estar aqui tem sido enriquecedor nesse meu processo de construção dos meus trabalhos com cartazes e outros que tenho em curso. Acesso a museus e a troca com estrangeiros, ver a recepção do meu trabalho entrar em contato com várias partes do mundo estando em um só lugar me gratifica muito.

Me diz uma coisa, por que tantos corações nas suas artes?

É um órgão vital, único a bombeia tudo e é nosso músculo vulnerável, nossa apoteose de mil sentidos, nosso modo de dizer: “estou vivo”.

“Vai com calma” por Vital Lordelo, disponível aqui na Touts.

Antes de sua famosa série de lambe lambes com ilustrações você se utilizava bastante de outros formatos como colagem. Pode contar pra gente como foi essa transição? Foi uma evolução natural?

Sim, eu desenvolvi muitos desenhos, pinturas e colagens. Adoro colagem. Sempre que tenho tempo quando chego em alguma cidade, procuro lojas de livros de segunda mão e vou em busca de material para novas colagens

Acredito que tudo aconteceu em paralelo — ainda desenvolvo colagens, só não como fazia anos atrás.

Que papel plataformas como a Touts tiveram na sua carreira como artista?

A Touts me contempla no formato de design de superfície pois cuida de frentes de produção e logística da qual eu hoje não tenho como atender morando no exterior.

Você são sensacionais mesmo, espero ainda subir mais projetos com vocês em breve.

Vital e sua inseparável maleta. Foto: Camilla Cossermelli

Quais as principais vantagens que você enxerga em disponibilizar sua arte em sites como o nosso?

A plataforma e o modelo de negócio, variedade de aplicações e mais que isso, pontos de vendas físicos — essas coisas fazem diferença.

Quais dicas você daria pra si mesmo no passado, quando estava apenas começando?

Vital, inscreva-se no vestibular para Artes Visuais.

Quais são os próximos passos e o que vem pela frente?

Vamos lá, tenho um novo formato de projeto ilustrado para entregar em um mês, estou com um processo de trabalhos com desenho e pintura que devo terminar, uma ruptura, da abstração a poética e quero me dedicar mais às tatuagens. Vem ver tudo isso tomar forma pelo instagram: @domvital

“Há coragem sempre agora” por Vital Lodelo, disponível aqui na Touts.

Pra fechar, um bate-bola jogo rápido:

Uma pessoa incrível — Van Gogh

Um sonho — Ter um cafeteria com grandes paredes para fazer exposições de artistas e ilustradores.

Uma cor — Vermelho

Um livro — O livro do Desassossego - Fernando Pessoa

Uma cidade — Lisboa

Um medo — De não tentar

Vital por Vital em uma frase — Um artista que acredita mais na coragem do que no talento.


Essa foi nossa prosa com o incrível Vital Lordelo, um dos mais de 2.500 artistas da comunidade da Touts. Pra conhecer mais sobre seu trabalho e encontrar produtos com suas artes, não deixe de visitar a página dele na Touts.

Para ler entrevistas com outros artistas incríveis de nossa comunidade, dá uma conferida no nosso blog que tá recheado de histórias incríveis.

Abraço de urso,

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