FRETE GRÁTIS em compras acima de R$189
← Voltar

Artista da Vez #21 — Rahma Projekt

Diretamente de Criciúma, Santa Catarina, para o mundo. O novo Artista da Vez da Touts é um velho conhecido. Foi um dos primeiros artistas da plataforma e confiou no nosso trabalho talvez antes mesmo até de nos mesmos. Um artista com raízes fortes no design e cheio de técnica em suas obras. Se você gosta de música e cultura-pop, não pode deixar de conhecer seu trabalho.

Senhoras e senhores, com vocês: Rahma Projekt

Rafael Hoffmann, a mente por trás do Rahma Projekt.

Como você se apresenta para seus alunos no primeiro dia de aula?

Eu tenho fama de ser um professor, digamos, exigente. Mas eu juro que é tudo pro bem das minhas crianças. Então sempre digo para os alunos não acreditarem no que os veteranos vão falar sobre mim. Só na parte ruim. Depois eu bato na mesa e grito: pede pra sair! (brincadeira, essa parte eu não faço ainda).

Mas não conta pra ninguém, o professor linha dura é tipo uma identidade secreta. Na maioria do tempo eu sou só um cara mais ou menos legal.

E como se apresentaria na mesa de bar?

Dae! Eu sou o Rafael. Em boa parte do tempo eu tento ensinar os paranauês do design pros padawans, mas também pesquiso sobre tipografia, faço “garden design”, corro pra não ficar gordo de novo e começo um monte de projetos que nem sempre termino. Já fui visto em rodas punk, mas hoje devido à idade é mais fácil me encontrar no meu sofá bebendo uma cerveja. #tois

Como a arte começou na sua vida e como foi ganhando cada vez mais proporção até hoje?

Como quase todo garoto que leu muito quadrinho na infância, eu rabiscava monstros e super-heróis em folhas de papel. Mesmo não tendo evoluído nos rabiscos, isso acabou influenciando as minhas escolhas futuras. Na adolescência fiz curso técnico em desenho industrial, afinal eu desenhava e o curso tinha desenho, então uma coisa levou a outra. Foi por aí que minha veia
artística começou a murchar, acabei tendo uma formação bastante técnica tanto academicamente quanto profissionalmente. Mas como sempre trabalhei com criação, a relação com arte sempre foi muito próxima.

X-Verde, um dos primeiros rabiscos do Rafael.

Foi só com o Rahma que eu pude exorcizar uma parte do técnico que existe dentro de mim e voltar a explorar uma veia mais poética e artística. Vi essa experiência como uma válvula de escape para o estresse do trabalho, as crises pessoais e o cansaço de trabalhar atrelado a muitas obrigações, regras e opiniões. Acho que abrir esse espaço para a arte nos ajuda a “desplugar” um pouco do mundo e dos problemas por algumas horas. Viver algum tempo em
um mundo só nosso é uma boa terapia. Tem muito a ver com uma frase do Deyan Sudjic no livro A Linguagem das Coisas, lá ele diz que “quase todos os designers foram treinados para, no fundo, acreditar que design não é arte. Talvez por isso tentem com tanta frequência ser artistas”.

Quais são suas principais fontes de inspiração e quem você gosta de acompanhar hoje?

Minhas referências são muitas, mas tento buscar inspiração principalmente em grandes nomes da história do design e em estilos históricos e sempre que possível tento adaptá-los com referências mais contemporâneas. Sou muito fã do trabalho do Saul Bass, responsável por alguns dos pôsteres e aberturas de filmes mais clássicos do Hitchcock. Algumas das minhas ilustrações são claramente inspiradas no estilo dele. Gosto muito também do trabalho do
brasileiro Alexandre Wollner, admiro como ele consegue criar coisas simples mas carregadas de significado. Lester Beall, Paul Rand e Lucian Bernhard também são referências constantes, além de nomes mais atuais como Olly Moss e Noma Bar. Mas na real a minha inspiração vem de tudo, dá pra ver isso nas ilustrações. Cinema, games, referências ao design, tipografia e cultura pop em geral. Penso que o projeto como uma forma de criar “sem coleira”, é como se fosse um laboratório em que eu posso pegar essa mistureba de inspiração e juntar tudo sem ter medo de explodir tudo.

Um pouco do processo criativo por trás das obras do Rahma.

Pode nos contar um pouco mais sobre seu dia a dia e como lida com seu processo criativo na rotina?

Eu sempre tenho um papel rabiscado no bolso. É basicamente assim que eu lido. Pelo fato de o Rahma ser um projeto experimental e sem um objetivo ou meta a ser cumprida, eu não me preocupo muito com seguir um processo (mesmo que eu tenha). Acho que num nível inconsciente todas as referências se misturam e as ideias surgem, aí a importância de ter sempre algo pra rabiscar à mão. Acho que a palavra-chave é experimentar. Muitas vezes eu
tenho uma ideia e vou tentando encaixar as coisas, pode não dar em nada. Talvez por isso eu tenha quase a mesma quantidade de ilustrações publicadas e outras que não deram em nada e ficaram engavetadas. O que não é de todo ruim, porque serviram de exercício.

Como você lida com as diferenças de trabalhar com design profissionalmente, dar aulas e suas criações artísticas pessoais? Esses três trabalhos criativos diferentes se conectam de alguma forma?

Sei lá, pra mim tá tudo muito conectado, não vejo separação. O trabalho com o Rahma, por mais artístico que seja, tá muito ligado com design. É uma forma de aplicar e exercitar conceitos gráficos como cor, tipografia e diagramação de uma forma mais descompromissada. E tudo isso eu ainda posso levar pra sala de aula, sejam os conceitos gráficos aplicados ou uma
forma de usar o trabalho autoral como de exercício e, porque não, uma forma de renda extra.

Detalhes da arte “Faroeste Caboclo”, que você encontra aqui na Touts.

No começo o Rahma Projekt era como uma “válvula de escape” criativa pra você, né? Como surgiu o projeto e a partir de que momento percebeu que ele devia ter vida própria?

O Rahma Projekt surgiu em 2011 de forma meio espontânea. Não foi uma coisa pensada, planejada, meio que surgiu do nada. Um dia, num período de crise e com muita coisa incomodando, eu estava com uma música na cabeça e ao ver uma imagem qualquer na internet, simplesmente abri um programa e tentei expressar graficamente o refrão. Ficou simples e não muito bom, mas na época eu gostei do resultado. Entrei no piloto automático, no dia seguinte já tinha mais umas 6 ou 7 ilustrações e aí a coisa deslanchou, não conseguia
pensar em outra coisa e o monstro saiu da jaula… hahahahaha.

Como começou a ideia dos trabalhos minimalistas?

Começou porque eu sou um péssimo desenhista e tenho preguiça de aprender. É sério. Nessa época, em 2011, o minimalismo tava surgindo como uma tendência e caiu como uma luva para alguém que não era um grande ilustrador, mas tinha algumas ideias na cabeça. Mas eu também vejo o minimalismo como uma adaptação dos estilos internacional e suíço de meados da década de 60, onde a criação era simples e direta e se tinha uma abordagem limpa, funcional e objetiva do design. Era a máxima “menos é mais” da Bauhaus sendo executada ao extremo. Além disso, acho um desafio tentar representar de uma forma extremamente simples uma ideia.

Diversas obras do Rahma Projekt. Todas disponíveis aqui na Touts.

E por que as referências musicais?

Desde muito novo eu sou apaixonado por música, principalmente o rock, fui influenciado por coisas que meu pai e meus tios ouviam. Por isso, desde que comecei a trabalhar com design tenho tentado fazer coisas que tenham ligação com a música. Meu primeiro trabalho, por exemplo, foi o site de uma banda que fiz com alguns amigos em 1999. Então, juntar música com design, duas paixões, foi natural quando eu quis me expressar de uma forma diferente.

Recentemente suas criações com o Rahma tiveram um hiato de algum tempo. O que te fez retomar o projeto e quais suas motivações atuais?

O minimalismo aliado à música, acabou virando a marca registrada do projeto. E por um tempo foi bom, cumpriu muito bem com a função de ser um laboratório, mas a fórmula se desgastou, a motivação passou e o Rahma ficou parado por quase dois anos. Até que agora, completando 7 anos, eu fui possuído pelo encosto da criatividade de novo. Foi uma vontade de experimentar coisas novas criativamente, deixando um pouco de lado (mas não abandonando) o minimalismo e a música, que motivou a retomada do projeto. ⠀

Rafael e seu outro projeto paralelo de sucesso, o Pintores de Letras.

Qual papel que plataformas como a Touts tiveram na sua carreira?

Eu acho que posso dizer tô com a Touts desde antes do início e, por isso, mesmo de longe eu me considero parte da família (abraço Arturo). Além disso vocês me livram da parte mais chata que é cuidar da produção, venda e transporte, então eu fico só com a parte boa que é criar. Como não amar?

Que dica hoje você daria a você mesmo no passado?

Corre, malandro! Vai perder essa barriga!

Quais são os próximos passos e o que vem pela frente?

Ainda não sei exatamente, tô deixando fluir. Mas nessa pausa do Rahma eu comecei a me dedicar à tipografia. Além de criar algumas fontes, comecei, junto com minha namorada, um projeto de pesquisa sobre tipografia vernacular, o Pintores de Letras (www.pintoresdeletras.com.br). Estamos tentando levantar investimento pra gravar um documentário e publicar um livro sobre a pesquisa. No mais eu tô motivado a explorar outros caminhos da criatividade, não só ligado a arte gráfica ou design. Vamos ver no que vai dar.

Rafael já trabalhando em projetos futuros…

Pra fechar, um bate-bola jogo rápido:

Uma pessoa incrível — O Lemmy do Motörhead
Um filme — Curtindo a Vida Adoidado
Um álbum — American Beauty, do Grateful Dead
Uma sorte — Nicole, minha namorada.
Um autor — Stephen King
Uma comida — X-salada criciumense
Rafael por Rafael em uma frase — Eu quero fazer coisas legais, mesmo que ninguém se importe. É assim que quero viver a minha vida. (Foram duas frases e na verdade é adaptado de uma frase do Saul Bass, mas me define bastante).


Essa foi nossa conversa com o incrível Rafael Hoffmann, do Rahma Projekt, um dos mais de 2.500 artistas da comunidade da Touts. Pra conhecer mais sobre seu trabalho e encontrar produtos com suas artes, não deixe de visitar sua página na Touts.

Para ler entrevistas com outros artistas incríveis de nossa comunidade, dá uma conferida no nosso blog que tá recheado de histórias incríveis.

Abraço de urso,

Não vamos mandar spam nem passar seu e-mail pra ninguém, também não curtimos isso ❤